A diplomacia brasileira tem oscilado como um pêndulo no cenário internacional, pendendo ora para esquerda, ora para a direita, sem conseguir ficar no meio. Nesta segunda-feira, por exemplo, foi celebrada importante reunião em Madri, em nível de chanceleres, entre Brasil e União Européia. Foram passados os principais assuntos da agenda regional e global. Conforme destacou o presidente da UE, o espanhol Miguel Angel Moratinos, o diálogo com o Brasil interessa especialmente á UE, porque os anos de bons governos tem dado ao Brasil estabilidade política e progresso econômico e social, e, com isto, a possibilidade de valorizar o seu imenso potencial.
Até aí tudo bem! Ótimo que o Brasil esteja se aproximando da UE. No entanto, o ministro Celso Amorim aproveitou o encontro para fazer um pronunciamento político. Num ponto acertou, em outro melou. Acertou quando disse que o Brasil está disposto a favorecer o diálogo entre o Irã e a Agência Internacional de Energia Atômica (AEIA) sobre energia nuclear, confirmando a posição brasileira contrária as sanções propostas por Estados Unidos e França. Chegar a um acordo com o Irã é muito importante para a paz mundial. Já as sanções, conforme declarou a iraniana Shirin Ebadi, ganhadora do Nobel da Paz de 2003, prejudicam o povo iraniano e não o governo.
Já escorregada de Amorim foi fazer a defesa do retorno de Zelaya a Honduras. Ora, Honduras já fez eleição, já tem um presidente eleito e empossado, e ele ainda fica falando em Zelaya. Este, se voltar para Honduras, será para responder pelos desmandos pelos quais foi indiciado.