Enquanto cresce no cenário internacional o apoio ao Brasil para atuar como mediador na questão nuclear do Irã, segue o confronto de palavras entre Teerã e Washington. E a análise fria dessas palavras deixa a percepção de que cada uma das partes tem as suas razões e as suas contradições, ou, melhor dizendo, interesses escusos. Quanto ao Irã, sabe-se que tem o direito de ter o seu programa nuclear para fins medicinais ou de geração de energia, mas há o temor que venha a desenvolver a bomba atômica. Como se EUA e Israel, os dois maiores contestadores do Irã, também não tivessem essa arma. Mas, enfim, são democracias. E este é um aspecto contestado no Irã. A secretária Hilary Clinton declarou esta semana que o Irã é uma ditadura. Pois, embora o processo eleitoral, o governo age como tal. Condena opositores à forca, impede a ação da imprensa, da oposição, dos adeptos da fé Bahá´i e não abre suas usinas à inspeção dos agentes da ONU. Então, tudo isto com relação ao Irã é verdade.
Quanto aos EUA, foram alvo hoje de uma declaração do líder religioso iraniano, o aiatolá Ali Khamenei. Ele disse que “os EUA estão transformando o Golfo Pérsico num depósito de armas”. O que também é verdade. Os EUA estão vendendo armas em profusão para as monarquias do golfo, Arábia Saudita, Omã, Catar, etc. Isto inclui a instalação de sistemas de mísseis e de antimísseis, além do apoio de navios de guerra americano. Ou seja, transformaram a crise com o Irã num bom negócio de armas.
Como se vê, ninguém é santo nesse episódio.