Na década de 70 vivíamos o auge das ditaduras militares na América Latina. Longe daqui, o movimento era seguido pelo país que, ironicamente, foi o berço da democracia: a Grécia. Por aqui, de um modo geral, as ditaduras atravessaram os anos 70. Na Grécia, o regime dos coronéis, que começou em 1967, caiu em 1974. Mas o movimento mais forte que determinou a sua queda se deu em novembro de 1973, na Universidade Politécnica de Atenas. Foi dali que partiu a revolta estudantil que precipitou a queda do regime. A junta militar mandou as tropas invadir a Universidade e, com isto, decretou o seu fim. Não teve mais força moral para continuar governando. E desde então, as tropas ficaram proibidas de colocar os pés na Universidade.
E é dali que, anualmente, partem manifestações estudantis para lembrar o ocorrido e protestar contra o que não está bem. Como está sendo feito agora, em manifestações contra o governo direitista de Costas Karamanlis. No entanto, o que era para ser simples manifestação se transformou em distúrbios, com saques, destruição e incêndios de lojas. Tudo porque, no sábado, a polícia atirou contra os estudantes, matando um deles: Alexandros Grigorópolus, de apenas 15 anos. Desde então a violência não parou. Ontem, um juiz determinou a prisão preventiva de dois policiais acusados pela morte do estudante. É a tentativa do Judiciário de ajudar o Executivo para estancar os distúrbios.
GREVE GERAL
A prisão de dois policiais acusados de matar o estudante Alexandros Grigorópolus, se constitui numa tentativa do governo da Grécia de amenizar os protestos que há cinco dias sacodem doze das principais cidades do país. Nesta quarta-feira, se somaram aos protestos milhares de trabalhadores em uma greve geral de 24 horas que fechou escolas, aeroportos, bancos e paralisou o transporte público. Os trabalhadores foram convocados para a manifestação pelos dois principais sindicatos gregos, Confederação Geral de Trabalhadores Gregos (GSEE) e a Federação de Funcionários (ADEDY), que representam mais de 2 milhões de pessoas e protestaram contra a má situação econômica e a favor de mais justiça social.
As duas manifestações reuniram cerca de 15 mil pessoas no centro de Atenas e aumentaram a pressão sobre o conservador primeiro-ministro, Costas Caramanlis. Como a greve havia sido convocada antes da eclosão da violência com o assassinato do estudante, o primeiro-ministro pediu às centrais sindicais que suspendessem a greve, tendo em vista a onda de violência. No entanto, não foi atendido. O que Caramanlis viu foi o aumento do movimento para tirá-lo do poder.