As ações decorrentes da partilha do mundo, entre os três poderosos, Estados Unidos, Rússia e china, começam a ser sentidas. E isto vem sendo demonstrado, principalmente, pelas ações dos Estados Unidos. Tanto aqui na América do Sul, quanto lá na Europa Oriental. Por aqui, tem-se a manobra naval ameaçadora ao regime de Nicolás Maduro na Venezuela, sem se preocupar com uma reação do maior aliado do chavismo, a Rússia. Por lá, a proibição à Ucrânia de usar mísseis americanos contra o território russo.
Ou seja, ações que se enquadram na partilha do mundo entre Estados Unidos, Rússia e China. Por enquanto, o envolvimento maior é de Donald Trump e Vladimir Putin. Vê-se que Trump ficou em liberdade para ameaçar a Venezuela, ao mesmo tempo em procura inviabilizar a reação da Ucrânia no seu enfrentamento com a Rússia.
OUTRO
O outro parceiro do triunvirato, Xi Jinping, está em silêncio. Pois, para ele, o objetivo é um só: tomar Taiwan. Uma operação bem mais complicada, pois poderá implicar em muitas mortes e destruição. Mas, que está sendo gradativamente preparada para acontecer.
O governo de Taiwan tem recebido propostas de Pequim para unir-se ao continente, voltando a ser como era antes de 1949, um só país. O grande problema é que a China é uma ditadura e Taiwan uma democracia. Uma unificação resultaria em algo semelhante ao ocorrido com Hong Kong. A antiga possessão inglesa foi devolvida à China em 1999, mediante um acordo estabelecendo que ao longo de 50 anos continuariam vigorando em Hong Kong as leis inglesas.
MUDANÇA
Não chegou à metade desse período e o tacão de Pequim foi imposto sobre a ilha, acabando com as eleições diretas, a liberdade de expressão e a liberdade de imprensa. Passou a vigorar o regime hoje dominante na China, que é de uma economia livre de mercado, mas, de um regime político ditatorial, sob o domínio do Partido Comunista Chinês.
A rigor, no caso de uma invasão de Taiwan, os EUA deveriam sair em defesa dos taiwaneses, devido a um tratado de defesa que possuem. Porém, se sempre se duvidou de que os norte-americanos fossem mobilizar suas Forças Armadas para defender a pequena ilha e enfrentar o gigante chinês, hoje, não há dúvida de que isto não acontecerá. Pelo menos diante do atual quadro mundial.
ABANDONO
Sobra agora para a Ucrânia ao ser abandonada por Trump. Embora tenha o integral apoio da Europa. Mas, para o presidente americano, a velha Europa está enquadrada no mesmo grupo separado dos três poderosos. Ou seja, está na periferia. Como tal, esta periferia tem que unir forças diante dos avanços de Putin. Os quais, temem os europeus, não vão parar na Ucrânia.
Sempre lembrando que o objetivo declarado de Putin é restaurar a antiga União Soviética, quando os países da região eram comandados por Moscou. Referendou este objetivo através da camisa que o chanceler Serguei Lavrov vestiu por ocasião da reunião do Alasca. Exibia a estampa com as iniciais CCCP, que em russo significam União das Repúblicas Socialistas Soviéticas.
PRÓXIMO
Assim, enquanto Putin fica livre para agir nas suas imediações, Trump também fica por aqui. De olho, logicamente, na Venezuela. Embora tenham na fila Cuba e Nicarágua. Não é sem razão a mobilização dessa frota para a costa venezuelana. Movimento que é dito para combate ao narcotráfico, mas, cuja razão principal é a desestabilização do chavismo na Venezuela.
É claro que isto não se dará de imediato, com uma invasão do território Venezuela! Será um processo lento, aproveitando a alta rejeição que o regime tem no país. Afinal, isto foi demonstrado pela eleição, que acabou fraudada pelo regime, que até hoje não mostrou as atas de votação.
EVASÃO
Maduro fala em ameaça à pátria e convoca as milícias. Os grupos que tem usado para sufocar os protestos daqueles que não suportam mais a situação vigente. Lembrando que cerca de 7 milhões de venezuelanos já deixaram o país, buscando sobrevivência nos países vizinhos.
A deposição do regime não será tarefa fácil, pois, Maduro tem o respaldo das Forças Armadas e do narcotráfico. E uma invasão americana, pelo menos no curto prazo, é descartada. Mas, é um processo lento que já começou.