Desde que o Irã lançou uma série de mísseis sobre o território israelense, a 1º de outubro, o mundo vinha aguardando com tensa expectativa qual seria a resposta de Israel. Simplesmente, porque o tamanho da resposta determinaria a dimensão que tomaria este conflito, que envolve múltiplos atores do Oriente Médio, com implicações indiretas de potências como Estados Unidos, Rússia e China, além de muitos outros países periféricos. Nesta quarta-feira, o jornal Washington Post noticiou que o primeiro-ministro de Israel, Benjamin Netanyahu, aceitou as ponderações do norte-americano Joe Biden e decidiu que a resposta visará instalações militares, não envolvendo as nucleares ou petrolíferas, conforme se temia.
PREOCUPAÇÕES
As preocupações da comunidade internacional com relação ao tipo de ataque a ser desferido por Israel se prendem, não só com relação à dimensão que o conflito assumiria, mas também pelos estragos decorrentes do local a ser atacado. Um ataque a uma instalação nuclear deixa sempre a preocupação com relação a um vazamento radioativo. Já quanto às instalações petrolíferas, representaria um castigo, não aos aiatolás, mas, ao mercado internacional e aos consumidores.
A possibilidade de um ataque ao Irã, o sétimo produtor mundial de petróleo e que conta com a terceira maior reserva do produto, implicaria numa redução substancial no fornecimento, tendo deixado nervoso o mercado internacional. Não é sem razão que o preço do petróleo sofreu uma baixa no mercado internacional tão logo foi divulgada qual seria a resposta de Israel. Esta, segundo o jornal Haaretz, acontecerá antes das eleições norte-americanas, marcadas para 5 de novembro.
PROTEÇÃO
Esta atenção de Netanyahu ao pedido de Biden, acertada durante conversa de ambos e mais Kamala Harris, passa por mais uma ajuda substancial dos Estados Unidos a Israel. Acontece que Israel está sofrendo ataques por mísseis que vem dos mais diversos pontos. Além dos remetidos pelo Irã, que se restringiram a um dia, o país sofre diariamente ataques com esse tipo de artefatos, lançados pelo Hamas a partir de Gaza, pelo Hezbollah do Líbano, e pelos Houthis, do Iêmen.
Como já decorre um ano que Israel vem enfrentando estes ataques, o seu sistema de defesa já está se esgotando. Sua indústria do setor está trabalhando três turnos por dia, mesmo assim não está dando conta de atender a demanda. E aí surgiu o papel dos Estados Unidos como provedores dos sistemas, segundo fontes consultadas pelo britânico Financial Times. Os EUA irão fornecer inclusive uma centena de operadores desses sistemas.
REPRESÁLIA
Esta mobilização visa uma proteção não só quanto aos grupos terroristas vizinhos, mas também, diante de uma réplica do Irã ao ataque que Israel pretende realizar. Este será um envolvimento direto dos EUA no conflito, pois implicará na montagem de seu sistema THAAD – Terminal High Altitude Area Defense.
As confrontações entre Israel e Irã vêm desde o dia 13 abril, quando o regime dos aiatolás lançou cerca de 300 mísseis e drones contra o território israelense, em represália a um ataque, no Iraque, que matou um dos chefes da Guarda Revolucionária e mais outros seis assessores. Na ocasião, tudo parece ter sido calculado para representar apenas uma prestação de contas à população iraniana, pois os artefatos caíram em descampados, em sua quase totalidade. Já no ataque deste mês foram atingidas instalações militares israelenses. Ou seja, a cada ação tem-se um incremento nos ataques.
EXECUÇÃO
Para tornar a situação mais tensa, as forças de Israel, que já liquidaram com as principais lideranças do Hezbollah no Líbano, acabam de eliminar naquele país o iraniano Abbas Nilforushan, um general da Guarda Nacional que estava destacado para dar suporte ao grupo terrorista. Só para dimensionar a importância do mesmo. Nesta quarta-feira, o presidente do Irã, Masud Pezeshkian, encabeçou, junto com os mais altos comandos militares e uma multidão civis, o funeral de Nilforushan.
Ou seja, os confrontos em Gaza e no Líbano continuam e, mesmo não havendo ataque a instalações nucleares ou de petróleo, não se vislumbra qual será a evolução desta disputa entre Irã e Israel.