O conflito no Cáucaso está provocando um substancial aumento nas tensões entre Rússia, de um lado, e EUA e União Européia de outro. Agora, por exemplo, estamos diante da decisão da Rússia de aprovar as declarações de independência da Ossétia do Sul e da Abkhásia, províncias que, teoricamente, pertencem à Geórgia. Ao mesmo tempo, temos a forte manifestação da OTAN, a Organização do Tratado do Atlântico Norte, através do seu secretário-geral Jaap de Hoop Schefer, contestando a decisão russa. Disse que a atitude representa uma “violação direta a várias resoluções do Conselho de Segurança das Nações Unidas sobre a integridade territorial da Geórgia. “Resoluções que a própria Rússia apoiou”, lembrou o secretário-geral no texto.
Dois aspectos pesam na decisão russa. Um deles, é o troco que está dando para o Ocidente, pelo fato de ter apoiado a independência de Kosovo, contrariando a vontade da Sérvia, tradicional aliada de Moscou. Outro, é o fato de que a Ossétia do Sul já realizou um plebiscito em 2006, quando a população votou esmagadoramente pela independência. Então, neste caso, no entender de Moscou, não cabe ao Ocidente querer ditar ordens na região. Na que parece estar certa. É a velha questão da auto-determinação dos povos que precisa prevalecer e não a vontade das potências. Até porque os dados históricos mostram que a Ossétia nunca foi parte efetiva da Geórgia, a não ser num curto espaço de tempo.
De qualquer forma, as peças estão se movimentando no tabuleiro, enquanto que no ar volta-se a sentir um velho cheiro de Guerra Fria.