Quinze meses depois de a Venezuela ter assinado o protocolo de adesão ao Mercosul, a Comissão de Relações Exteriores da Câmara dos Deputados do Brasil aprovou o ingresso. O que não é o passo final. O ingresso ainda precisa ser aprovado em plenário no Senado e na Câmara. A sessão de ontem durou mais de cinco horas e teve acirradas discussões.
Tudo isto, evidentemente, pelo que representa a figura do presidente venezuelano Hugo Chávez e, especialmente, pelo sistema de governo que ele está impondo na Venezuela. Ainda no domingo, manifestantes que protestavam contra as reformas que ele está fazendo na Constituição, foram reprimidos pela força. Há o caso marcante da emissora RCTV que foi fechada porque fazia oposição a Chávez.
Um dos preceitos básicos para um país fazer parte do Mercosul é a preservação da democracia. E a Venezuela, pelo que se vê, se afasta cada vez mais de um sistema democrático pleno. O ingresso da Venezuela no Mercosul está se dando de maneira inversa da forma a que foram submetidos os membros originais do bloco. Para todos, primeiro foram establecidas as normas técnicas de cooperação. Depois foi firmado o ato político de ingresso. A Venezuela quer entrar no bloco e depois discutir as questões técnicas. Ou seja, o que Chávez quer é ganhar um palco no âmbito latino-americano.