Quanto a Honduras, não resta outra alternativa do que o protesto da comunidade internacional pelo restabelecimento da democracia no país. Isto vai depender, fundamentalmente, da posição a ser assumida pela OEA, a Organização dos Estados Americanos. O organismo, que estava no ostracismo, terá oportunidade de se recuperar se tomar uma posição incisiva sobre o tema. E como o país que mais tem influência na OEA é os EUA, se espera que isto aconteça. A primeira ação já foi tomada. Em reunião de emergência neste domingo, a organização aprovou, por aclamação de seus 34 integrantes, a exigência de que Zelaya volte ao poder. Já o presidente Barack Obama qualificou o golpe como um ato “ilegal” e que abre “um terrível precedente” para a região.
A exigência de uma posição mais forte por parte dos EUA está no fato de que a ação dos golpistas hondurenhos demonstra a perda de força americana no país. Isto porque, os EUA, que sempre tiveram uma boa relação entre os seus militares e os militares hondurenhos, a ponto de terem uma base nas ceranais de Tegucigalpa, advertiram para a não realização do golpe. Não foram ouvidos. Ou seja, isto vem comrpovar que os EUA já não exercem mais influência na região. Pelo menos, como exerciam em tempos passados.
Todavia, quem pode surgir nesse vácuo americano é o Brasil. Que já adotou uma posição firme sobre o caso. Decidiu que o embaixador Brian Michael Fraser Neele (que nome bem brasileiro), que está de férias, não retorne para Honduras. O presidente Lula disse que o Brasil não reconhecerá o novo governo e que Honduras está ameaçada de ficar isolada da comunidade internacional se Zelaya não retornar ao governo.
Acontece que, diferentemente da diplomacia do “Big Stick” (do grande porrete) empregada durante muito tempo pelos EUA na região, o Brasil tem usado da diplomacia e da negociação envolve os parceiros da região para resolver os conflitos regionais. Foi assim que conseguiu acabar com a guerra entre Equador e Peru na Cordilheira do Condor. Foi assim também que criou o “grupo de amigos” que acabou desarmando o risco de guerra civil na Venezuela, em 2002, quando houve uma tentativa de golpe que chegou a deixar Hugo Chávez 48 horas fora do poder. Golpe que, diga-se de passagem, teve o apoio do então presidente americano George Bush. Mais recentemente, no ano passado, a Bolívia esteve convulsionada com a rebelião de quatro departamentos e o Brasil conseguiu mobilizar a Unasul e acalmar os ânimos. É lógico que esta crise de Honduras é mais complexa. Há um fato consumado que foi o afastamento do presidente Manuel Zelaya. E somente a sua volta ao cargo pode caracterizar a manutenção da democracia. Porém, pelo que se vê internamente no país, esta possibilidade parece remota. Este, porém, é o desafio para a diplomacia brasileira marcar mais um ponto e ir sedimentando a sua liderança na região.