Com a libertação do ex-deputado pelo Valle de Cauca Sigifredo López concluiu-se a terceira etapa do processo de libertação de seis reféns pelas Farc, operação que teve a importante participação brasileira, através da concessão de helicópteros e logística militar. Pelo que consta, agora só restam 23 reféns militares em poder das Farc. Não há mais políticos detidos. No entanto, há ainda um número que varia de 500 a 700 pessoas, que foram tomadas como reféns para fins de extorsão de dinheiro. Assim, a família que não conseguiu juntar o dinheiro para pagar o resgate não teve o seu familiar de volta.
Esta é uma das faces cruéis dessa nefasta guerrilha que tenta minar a democracia colombiana. O episódio que envolveu o recém libertado deputado López ilustra mais o que é essa ação. López é o único sobrevivente dos 12 membros da Assembleia departamental de Valle del Cauca sequestrados pelas Farc em 11 de abril de 2002, em um violento ataque à sede da corporação, no centro de Cali, capital departamental.
Nesse dia, um comando das Farc invadiu a assembleia, após assassinar um policial, e fez os deputados regionais acreditarem que se tratava de uma remoção por causa de uma bomba instalada no local. Os políticos foram levados em um ônibus em direção às montanhas que cercam Cali e, ali, foram notificados de que era um sequestro. Em seguida foram levados ao alto da cordilheira, onde, mais tarde, viriam a ser fuzilados.
Os 11 companheiros de López foram assassinados em junho de 2007. Segundo as Farc, em uma troca de tiros, mas as autoridades afirmam que os guerrilheiros os mataram como vingança pela captura, em um combate com o Exército, do líder guerrilheiro que os havia capturado. A entrega dos restos dos legisladores foi outro calvário aos parentes, que conseguiram, por fim, enterrá-los semanas mais tarde em Cali. Sigifredo López conseguiu se salvar porque tinha ficado doente e sido levado a outro acampamento rebelde.
Por aí se percebe o que é a atuação da Farc.