(Artigo publicado na edição de domingo, 10/05, do Correio do Povo)
O presidente Barack Obama resolveu convidar à Casa Branca os presidentes do Afeganistão, Hamid Karzai, e do Paquistão, Asif Ali Zardari. Afinal, depois que ele definiu que iria retirar as tropas americanas do Iraque e concentrá-las no Afeganistão, precisava buscar o consenso com as lideranças locais. E, neste caso, envolve não só o presidente afegão mas também o do Paquistão, tendo em vista que os terroristas da Al Qaeda e do Talibã, que precisam ser caçados, atuam nesses dois países. O Orçamento da Defesa, enviado esta semana ao Congresso, já define a prioridade de Obama: o Afeganistão ganha mais verba do que o Iraque. O total destinado para a Defesa é de 664 bilhões de dólares. Desse montante, 130 bilhões são destinados para as guerras, sendo que para o Afeganistão vão 65 bilhões, enquanto que para o Iraque vão 61 bilhões. Para o território afegão deverão também ser enviados mais 21 mil soldados americanos, com o que, passará para 55 mil o contingente naquele país.
Soldados que deverão ajudar na caça aos terroristas. Mas é justamente a caça a esses grupos que está trazendo problemas para o governo americano. Muitas dessas ações são realizadas sem o consenso dos exércitos locais. Esses aspectos foram acertados no encontro de Obama com Karzai e Zardari. Mas, o pior são as ações que envolvem civis. E isto tem acontecido muito no Afeganistão. Esta semana, por exemplo, uma ação em Farah, deixou cerca de 130 civis mortos. Acontece que os rebeldes do Talibã estão espalhados pelas pequenas comunidades do interior do país. E quando se sentem encurralados, se refugiam em meio ao civis. Assim, quando as forças norte-americanas, especialmente a aviação, desenvolvem seus ataques, acabam matando não só milicianos terroristas, mas também cidadãos comuns. E isto tem gerado um sentimento de revolta da comunidade afegã do interior do país contra os EUA. Resultado, é que se torna mais difícil a missão de conquistar não só uma vitória militar, mas também os corações e mentes afegãos. Sem o que, se sabe, não é possível chegar à vitória. Há em Cabul um governo aliado, de Hamid Karzai, porém, isto de nada valerá se não houver o apoio popular. E este apoio está sendo prejudicado pelas ações que são necessários desenvolver pelo interior do país contra o Talibã. Esta portanto, é uma estratégia que Obama precisava rever.
Na realidade, caçar os talibãs nas inóspitas montanhas do sul e oeste do Afeganistão é uma tarefa extremamente difícil. Daí a disposição do presidente Barack Obama de tentar buscar o diálogo com facções moderadas do Talibã. Até porque ele sabe que uma vitória militar contra o grupo é muito difícil. O objetivo é incorporar o Talibã ao processo político e forçar a fazer concessões, negociando com ele a partir da posição de maior potência militar.