A crise profunda levou o governo de Cristina Kirchner a antecipar as eleições parlamentares na Argentina. O pleito, que renovará metade da Câmara e um terço do Senado, e que estava marcado para outubro, será realizado a 28 de junho. Envolver a população na campanha eleitoral será uma forma de tentar minimizar a acentuada queda de popularidade do governo, que vem acompanhada de acentuada queda no PIB. Tudo em meio à medidas populistas e imprudentes, onde se destaca o aumento dos impostos sob a justificativa de redistribuição de renda.
O que o governo de Cristina tem conseguido neste período é desestabilizar o setor mais produtivo do país, que é o do agro-negócio. A exagerada taxação sobre as exportações tem colocado, há mais de um ano, o setor rural em confronto com o governo. No ano passado, o setor promoveu cinco greves e 4 mil bloqueios de estradas e conseguiu derrubar no Senado a decisão do governo de aumentar a tributação sobre as exportações. Como neste ano o governo está vindo de novo com a mesma iniciativa, o setor rural voltou a se mobilizar, só que, desta vez, ganhou uma importante adesão: a dos metalúrgicos. Sim, porque o setor de máquinas e implementos agrícolas se deu conta de que se o campo vai mal ele também vai. Assim, pela primeira vez na Argentina está se vendo o estabelecimento do elo operário-agricultor. Uma união que, apesar da força contrária do governo, deverá repercutir na eleição de junho.