A comunidade judaica brasileira saudou, com grande entusiasmo, a chegada, neste domingo, ao aeroporto de Cumbica de um avião da empresa El Al, realizando o primeiro voo direto entre Israel e o Brasil. Sem dúvida, um marco na aproximação entre os dois países, nesse voo sem escala, que dura 14 horas e meia. No entanto, esta mesma comunidade que está vibrando com o empreendimento, está também protestando contra a vinda ao Brasil, na próxima quarta-feira, do presidente do Irã, Mahmoud Ahmadinejad. Protesto este liderado pela Confederação Israelita do Brasil e que tem a adesão de associações de homossexuais, feministas e da comunidade Bahá’ís.
Há uma revolta pela vinda ao Brasil de um dirigente que nega o holocausto, que chamou o Estado de Israel de racista e que, internamente no seu país, persegue homossexuais e membros da comunidade Bahá’ís e que tolera o apedrejamento de mulheres adúlteras.
O Irã tem sido um dos principais inimigos dos EUA, foi arrolado por Bush no “eixo do mal” e um dos principais aliados da Venezuela de Hugo Chávez. O Brasil quer manter uma posição equidistante de um e de outro no trato com Ahmadinejad. A intenção do Planalto é estabelecer com Teerã relações político-comerciais pragmáticas, livres de conotações ideológicas. Em 2007, o Irã foi o principal comprador de produtos brasileiros no Oriente Médio, chegando a 1,8 bilhão de dólares. Em 2008 este valor caiu 40%. O objetivo do governo brasileiro é recuperar o terreno perdido e superar o índice de 2007. Para isto, não está avaliando as questões ideológicas, mas os negócios que pode fazer.