O ex-primeiro-ministro Hossein Mousavi, derrotado nas eleições presidenciais de sexta-feira no Irã, alega que houve fraude, que o pleito foi uma farsa. No contexto iraniano, em que o regime islâmico no poder tem forte controle sobre a imprensa, tudo é possível. No entanto, a diferença entre os dois principais candidatos foi muito grande. O presidente Mahmoud Ahmadinejad fez 62,7% dos votos, enquanto que Mousavi fez 33,7%. É uma diferença muito grande para ser passível de fraude.
Agora, o que ficou visível foi a divisão que se estabeleceu no país. Pela primeira vez se viu uma oposição atuante, em busca de renovação. E uma oposição fundamentada nos jovens, que já não suportam mais o autoritarismo e a forma atrasada de dirigir o país. Os sucessivos choques que tem-se dado pelas ruas de Teerã e das principais cidades do país são um reflexo da divisão. A candidatura de Mousavi crescera muito nos últimos dias e ele se apresentava como a possibilidade de mudança. Sua derrota foi uma frustração para muita gente, especialmente, os jovens.
Assim, tanto essa parte da população iraniana como o Ocidente, que queriam a derrota de Ahmadinejad, vão ter que continuar convivendo com o dirigente radical. A esperança é de que ele se dê conta da vontade de mudar de parte da população iraniana e da mão estendida do presidente Barack Obama. Sabe-se, porém, que, entre a esperança e a realidade vai uma diferença muito grande. Em todo caso, só resta aguardar pelas futuras ações de Ahmadinejad.
PROTESTOS E VIOLÊNCIA
O Irã está em meio à violência. Pelo terceiro dia consecutivo opositores saíram às ruas pedindo a anulação da eleição presidencial de sexta-feira, que deu a vitória ao atual presidente Mahmoud Ahmadinejad. Já houve pelo menos uma morte em meio ao protestos. O líder supremo do país, o aiatolá Ali Khamenei, pediu ao Conselho dos Guardiães do Irã para que examine as possibilidades de recontagem dos votos, anulação do pleito ou, simplesmente, confirmação do resultado. Os opositores alegam que em eleições anteriores o resultado era divulgado província por província. Desta vez foi divulgado em bloco. Além disto, a vitória de Ahmadinejad se deu não só na área rural, onde tem apoio, mas também nas grandes cidades, onde tem grande rejeição.
O Conselho a quem cabe decidir é um órgão de12 juristas encarregado de zelar pelo respeito aos princípios da revolução islâmica. O que inclui selecionar candidatos considerados aptos a concorrer à presidência. O Conselho é nomeado e presta contas ao aiatolá Khamenei. A quem também estão submetidos o presidente, o judiciário, o legislativo, o chefe da guarda nacional, etc. Diante disto, fica o questionamento: até que ponto vai a autonomia do presidente, que é responsável pela gestão do governo e da economia?