O dia 25 de outubro foi estabelecido pela Agência Internacional de Energia Atômica como data para inspecionar a nova usina nuclear que o Irã está construindo, próximo à cidade sagrada de Qom, 150 quilômetros a sudoeste de Teerã. A visita é uma decorrência do encontro realizado quinta-feira, em Genebra, entre os representantes do Irã e do G5+1, grupo formado pelas cinco potências nucleares mais a Alemanha.
Essa usina tem sido mais um ponto controvertido do programa nuclear iraniano. Sua existência foi denunciada pelo presidente Barack Obama no dia 25 de setembro, acusando o Irã de estar enganando o mundo. Só que o Irã havia comunicado sua existência à AIEA no dia 21 de setembro. O Irã reitera que, segundo sua interpretação do Tratado de Não-Proliferação Nuclear, não tinha obrigação de informar até seis meses antes de a usina ser alimentada com combustível atômico. Em entrevista ontem em Teerã, o diretor-geral da AIEA, o egípcio Mohamed El Baradei, disse concordar com a tese do Ocidente de que o Irã deveria ter comunicado antes a existência da usina, no entanto, saudou a disposição dos iranianos de abrir suas instalações à inspeção dos agentes da ONU.
Em meio às preocupações internacionais com o programa do Irã, surgiu uma proposta, que está sendo saudada por diplomatas americanos como algo capaz de promover uma confiança mútua. Sob os termos do acordo, o Irã transferiria a maior parte de seu estoque de urânio de baixo enriquecimento, avaliado em 1,5 mil quilos, para a Rússia e para a França, onde seria processado na forma de combustível capaz de produzir isótopos médicos, dos quais o Irã precisa para usar em tratamento de câncer. Com isto o Irã estaria excluindo cerca de 80% de seu urânio de qualquer uso militar. Ou seja, a maior parte de seus produto seria para fins médicos e não para a produção da bomba.
Juntando esta decisão e o que foi acordado quinta-feira em Genebra, tem-se a esperança de que se estabeleça um pleno controle internacional sobre o programa nuclear iraniano e que este seja, realmente, com fins pacíficos como diz o seu governo. No entanto, tudo depende ainda muitas negociações, as quais, possivelmente, vão entrar 2010 adentro.