Ao receber ontem o Prêmio Nobel da Paz, o ex-presidente da Finlândia Martti Ahtisaari cobrou do presidente eleito Barack Obama uma maior atenção ao conflito entre israelenses e palestinos. É muito provável que Obama se dedique a este que é o mais antigo e também o mais complicado problema da região. Mas não será sua prioridade. A prioridade, está muita clara, é o Afeganistão, para onde pretende deslocar as tropas que irá tirar do Iraque. Aliás, neste aspecto, o Reino Unido acaba de anunciar que começará a retirar em março os seus 4.100 soldados que estão no Iraque, tarefa que pretende concluir até junho. E parte deste contingente também será transferido para o Afeganistão.
É no Afeganistão que deve ser deflagrada a luta contra o terror e é lá que Obama irá concentrar suas forças. A questão israelense-palestina deixou de ser prioritária, até porque ela se encontra hoje num impasse do qual não se vislumbra saída. E diz respeito aos próprios palestinos, com a divisão profunda que se estabeleceu entre os blocos do Fatah, que quer acordo com Israel, e do Hamas, que quer a destruição de Israel. E sem a união dos palestinos não se pode pensar em paz.
Assim é que, enquanto esta situação persistir, o apelo do Nobel da Paz não terá eco.