O presidente da Colômbia Álvaro Uribe é o dirigente latino-americano que tem a maior aprovação dentro de seu país. O que não evita que alguns segmentos da população peçam a sua renúncia. E o que não impede também que o país se livre dos atos de violência, que tem marcado a sua história.
Agora, por exemplo, Uribe enfrenta dois movimentos que estão gerando violência. Um deles, é desenvolvido por cerca de 10 mil indígenas, que iniciaram na terça-feira uma marcha de 100 quilômetros de Cauca até Cali, onde esperam chegar neste fim de semana, reunindo 20 mil manifestantes. E onde esperam também serem recebidos pelo presidente Álvaro Uribe, para apresentarem suas reivindicações sobre terras ancestrais e denunciar casos de genocídio. Na largada da marcha já aconteceram confrontos com a polícia, tendo resultado a morte de dois indígenas. Fato que deu margem para a Organização Nacional Indígena da Colômbia referendar sua luta e lembrar que, desde 2002, 1.253 indígenas foram assassinados e 54 mil expulsos de suas terras ancestrais.
A expectativa é quanto ao comparecimento do presidente Uribe em Cali. Se não for, os manifestantes pretendem ir até Bogotá. O que não seria nada bom para Uribe e para o país, pois a capital tem sido alvo nos últimos dias de várias explosões – artefatos que são colocados em latas de lixo, atos ocorridos em meio a manifestações de servidores públicos, que fazem greve geral. E este é o outro movimento forte que Uribe enfrenta. Só que, ambos parecem se confundir. A polícia desativou seis explosivos colocados junto à estrada Pan-americana, em um trecho onde era realizado o protesto indígena, no Sudoeste da Colômbia.
Como se observa, apesar dos mais de 80% de aprovação, Uribe tem que enfrentar problemas bem maiores do que os de outros governantes sem tanto prestígio.