A data de hoje, 25 de maio, assinala os 199 anos de independência da Argentina. Na sexta-feira à noite, tivemos o prazer de participar de uma recepção no Consulado Argentino, oferecida pelo cônsul Jorge Biglione, e da qual participaram os jogadores Maxi Lopez e Hernán Herrera, dois argentinos que atuam pelo Grêmio. Os colorados Guiñazú e D´Alessandro não participaram porque estavam com o Inter em Goiás. Em seu pronunciamento, o cônsul Biglione ressaltou as crescentes relações entre Argentina e Brasil. Não falou de seu país. Na realidade, há pouco para um diplomata falar.
O país, que ano que vem chega a seu bicentenário, não tem muito que comemorar. Vive um momento difícil, decorrente da incompetência de seu governo, situação que se agravou pela crise mundial. As exportações do setor de agronegócios da Argentina no ano passado, chegaram a 35 bilhões de dólares. Metade deste dinheiro ficou com o fisco do país. Este foi um dos principais motivos dos constantes movimentos de paralisações realizados pelos produtores desde março do ano passado. Ou seja, o governo está batendo de frente com o setor mais produtivo do país. Aliás, os Kirchner acharam uma maneira sutil de permanecer no poder. Enquanto Hugo Chávez e seus parceiros bolivarianos vão alterando a Constituição de seus países para estenderem seus mandatos, o casal Kirchner resolveu, simplesmente, se alternar no poder.
A situação da Argentina é muito bem definida pelo escritor Marcos Aguinis, que se tornou uma espécie de porta-voz da classe média. Ele acaba de lançar o livro “Pobre Patria Mia”, que já vendeu 60 mil exemplares. Ele identifica a Argentina como estando “a caminho do inferno”. E ressalta que nas últimas décadas passou de “rica, culta e decente” para “pobre, mal-educada e corrupta”.
Convenhamos que corrupção não é um fato novo no país, pois já foi fator de detonação de Perón do poder na década de 50. Mas o país, inquestionavelmente, era rico e culto. Andar por Buenos Aires era o mesmo que andar por uma grande capital européia. O metrô já existia desde 1910. Seus escritores eram consagrados internacionalmente, o teatro Colón reproduzia os grandes espetáculos europeus. O roubo e a insegurança não existiam e o povo era educado e bem vestido.
Hoje, como diz Aguinis, aumentou a pobreza, há decadência educacional, problemas em saúde, as favelas e o narcotráfico cresceram. E o legado dos Kirchner, segundo ele, é uma decadência, maior insegurança e rancor. Uma sociedade que empobreceu e se dividiu. A república está sendo derrubada, porque o Congresso perdeu força. As instituições se tornaram débeis.
Para quem conheceu a Argentina há mais de três décadas, não há o que contestar.
VICE CONTRA CRISTINA
Na Argentina, como aqui no RS, há uma enorme divergência entre o governante e seu vice. A diferença é que, enquanto por aqui não se tem a definição se o vice será candidato ao governo na próxima eleição, por lá se tem. Julio Cobos, o vice opositor de Cristina Kirchner, está mirando a Casa Rosada em 2011. Para isto, está articulando o seu reingresso na União Cívica Radical, o maior partido de oposição na Argentina.
Cobos havia sido expulso da UCR por ter feito uma aliança com Cristina na última eleição. Essa aliança foi rompida em julho do ano passado. Naquela ocasião, foi à votação no Senado o projeto do governo de aumento de impostos para as exportações do campo. Houve empate no plenário. E Cobos como presidente da Casa, cargo que é atribuído ao vice-presidente, votou contra o governo. Desde então deu-se a ruptura. Agora, por ocasião da eleições legislativas de junho, Cobos passou a trabalhar nos bastidores em apoio aos políticos da UCR e também para a sua volta ao partido. Fato que ficou mais facilitado depois da recente morte de Raúl Alfonsín.
Na presente eleição, Cobos está apoiando candidatos de Mendonza, estado que governou de 2003 a 2007. E é a partir dali que pretende impulsionar sua candidatura para derrubar os Kirchner em 2011.