A euforia que os argentinos viveram nos últimos anos está arrefecendo nos últimos tempos e dando lugar a um quadro de indefinições. O país, que teve um crescimento médio de 8% nos últimos quatro anos, enfrenta uma brusca retração. Setores como os da construção, da venda de automóveis, de máquinas e implementos agrícolas e até mesmo o comércio de sementes e fertilizantes foram fortemente afetados. Há ainda uma inflação em alta e um fornecimento de energia em baixa. Em meio a esse quadro trava-se uma intensa batalha entre o governo e o setor rural.
Esta batalha está servindo para mostrar que quem desponta cada vez mais na condução dos assuntos do governo é o ex-presidente Néstor Kirchner. Foi ele que resolveu endurecer com os produtores. Procurou fragmentar suas lideranças, porém não conseguiu. Tentou colocá-los contra a sociedade, em decorrência da falta de alimentos e do aumento de preços. Também não conseguiu, pois o povo das cidades saiu às ruas para apoiar o movimento do campo. O próprio secretário da presdiência, Alberto Fernández, tem insistido em que os produtores não são responsáveis pela inflação.
É por tudo isto que se espera com expectativa a nova reunião, marcada para amanhã, na Casa Rosada, quando o governo deve fazer uma oferta oficial, estabelecendo um limite de 35% para as retenções tarifárias. E se espera que a condução do assunto fique com a presidente Cristina Kirchner, já que as teses de seu marido resultaram fracassadas. E, mais do que nunca, ela precisa buscar logo um acerto com o campo, porque este é o responsável pelo agronegócio, indutor do crescimento do país. Sufocá-lo, como quer Kirchner, significa acentuar a retração que já se abate sobre o país.