A Argentina está em festa esta semana. Esta terça-feira, 25 de maio, assinala os 200 anos do início do movimento que levou à independência do país. Foi a revolta contra o vice-reinado do Rio da Prata, que culminaria com a conquista da independência a 9 de julho de 1916. Assim, estes dois primeiros dias da semana são de feriados na Argentina. A presidente Cristina Kirchner estará recebendo os presidentes da maior parte dos países da América do Sul para as comemorações.
É evidente que a data precisa ser comemorada. Porém, se formos analisar a situação de hoje da Argentina, não há muito o que comemorar. Desde que o país aplicou o calote nos credores internacionais, os recuros de investidores estrangeiros minguaram. Assim como diminuiram as exportações de produtos da agropecuária, em função da taxação imposta pelo governo de Cristina. Aliás, não dá para entender o fato de ela ter comprado uma briga com o setor que promove a maior arrecadação do país. Briga esta que gerou a desavença da presidente com o seu vice, Julio Cobos, o qual, como presidente do Senado, deu o “voto de Minerva” contra o governo na questão de aumento de taxas sobre exportações.
No âmbito externo, o país vem num tênue porém crescente aumento nas tensões com a Inglaterra, em função das ilhas que os argentinos chamam Malvinas e que os britânicos conhecem por Falkland. Tensão esta que começou há dois anos, quando a Argentina resolveu retirar seu embaixador em Londres. Deixou lá apenas um encarregado de negócios. E essa tensão se intensificou quando a Inglaterra passou a explorar o petróleo que descobrira na região das ilhas. Por ocasião da recente cúpula União Europeia-Mercosul, realizada em Madri, Cristina reclamou que a soberania sobre as ilhas deveria ser discutida no âmbito do Comitê de Descolonização da ONU. Pois neste fim desemana, a Inglaterra apresentou ao encarregado dos negócios argentinos em Londres um queixa contra as restrições que o governo de Buenos Aires vem estabelecendo para a navegação britânica em torno do arquipélago. Alegou o governo de David Cameron que o país, ao explorar o petróleo na região, está exercendo o seu direito de soberania sobre as ilhas. Com o que, se deduz, não se vislumbra perspectiva de a Argentina conquistar a soberania sobre as ilhas.