– j.soares@cpovo.net –
O ano de 2.012 começa com a convenção do Partido Republicano, nesta terça-feira, em Iowa, para a escolha de seu candidato às eleições presidenciais norte-americanas de novembro. Ou seja, para enfrentar o democrata Barack Obama que, em meio à profunda crise que herdou de George Bush, estará buscando a sua reeleição. Ironicamente, o pré-candidato republicano que mais vem crescendo é Ron Paul, o qual tem um posicionamento em termos de política externa que se contrapõe ao que defende o seu partido. Ele entende que questões como a do Irã devem ser resolvidas através da diplomacia e não da guerra. Não é assim que pensam os figurões do partido, como Bush pai, Bush filho, Dick Cheney e outros. Para eles vale a filosofia traçada por Nelson Rockefeller, lá na década de 1940, de: “um banco, um exército e um poder”. O banco para financiar a guerra – e lucrar, logicamente – o exército para lutar – e morrer – e o poder para fazer a repartição do botim. Poderia se acrescentar nesse contexto as indústrias bélica e petrolífera. É em nome desse complexo que os Estados Unidos fazem a guerra atualmente. Vide a do Iraque.
A propósito, depois de quase nove anos, Obama conseguiu acabar com a guerra no Iraque. Ou, pelo menos, retirar as tropas americanas de lá. E muitas são as indagações sobre o êxito ou não dessa ação, pois custou um trilhão de dólares aos cofres americanos e a vida de mais de 4.500 soldados americanos. Ora, tudo isto faz parte da contabilidade de guerra. Isto sem falar nos 120 mil civis iraquianos mortos. Mas esses não importam. O que importa foi o estabelecimento do controle sobre o petróleo, estar trabalhando na reconstrução do país (com financiamentos dos bancos) e ter influência sobre um governo fraco, que precisa de tutela, tendo em vista as divisões internas que despontaram na sociedade. Isto, dentro da famosa teoria do “dividir para dominar”. E tudo isto em um país estrategicamente situado no Oriente Médio.
Terminada a guerra do Iraque, Obama, que é um pacifista, prepara a retirada do Afeganistão. Porém, ao mesmo tempo, mesmo contra sua vontade, mas por força do lobby desses elementos acima citados, já prepara a guerra contra o Irã. É tão forte o lobby que Obama não teve coragem de dizer que o seu antecessor George Bush fez uma guerra em nome de uma mentira. Aliás, nem Obama diz e tampouco diz a imprensa americana. Conforme ressalta o historiador Mark Weisbrot, “a cobertura do fim da guerra do Iraque é mais um lembrete do papel horrível exercido pela grande mídia americana”. E isto que Obama não se elegeu com o apoio das corporações da guerra, mas com base em uma extensa rede social. Assim é que, se ele conseguir reeleger-se, terá que lutar contra esse lobby para evitar a guerra com o Irã. Se perder, seja quem for o republicano, certamente será levado à aventura militar. Mas, tudo isto dentro de um contexto de projeções futuras. Não podemos esquecer o presente, onde a manobra militar do Irã em águas do Golfo Pérsico – portanto, em suas próprias águas territoriais – pode servir de pretexto para o lobby americano da guerra prevalecer. Quanto à justificativa para tal, a mídia americana se encarrega de ajudar a convencer a sua população. É só ver o histórico recente, como disse Weisbrot: “Para uma guerra que foi baseada em mentiras desde o início e que não teria sido possível, não fosse o fato de o governo e a mídia dos EUA terem convencido a maioria dos americanos de que o Iraque estava ligado ao 11 de setembro”. Agora, basta convencer de que o Irã tem a bomba atômica. E eu nem cheguei a falar da Síria.