Angela Merkel foi reeleita para o governo da Alemanha. Sua reeleição demanda a análise de alguns fatores, de ordem interna e externa. No âmbito interno, é surpreendente o fato de uma dirigente ser reeleita quando o país atravessa a maior recessão do período pós-guerra, tendo o PIB do país caído este ano 6,2%, o que corresponde a uma perda de cerca de 3 trilhões de dólares. Algo muito difícil para uma nação que foi reunificada há 20 anos e que, desde então, luta para estabelecer uma igualdade econômica entre os seus cidadãos. Pois, apesar de tudo, o povo alemão demonstrou confiar em Merkel para a recuperação do país. O resultado da eleição, com a CDU de Merkel e seu aliado FDP fazendo 323 das 614 cadeiras do Parlamento, permitirá que ela forme uma coalizão de centro-direita. Esta poderá lhe dar mais conforto do que a anterior que mantinha com o SPD, de centro-esquerda. E com isto, buscar a recuperação da maior economia da Europa.
No âmbito externo, a eleição alemã passa uma lição para a América Latina, que insiste em manter um arcaico sistema presidencialista, onde os seus dirigentes acabam sendo tentados a mudar a Constituição para buscar a sua reeleição por mais de uma vez. Num sistema parlamentar não há restrição a reeleições. O governante pode ficar 20 anos no poder ou cair em um mês. Tudo depende de sua conduta. E da vontade do povo, logicamente.
Quando ao modelo eleitoral alemão, vale ainda citar o seu sistema de voto distrital misto. Ou seja, o cidadão vota em uma lista elaborada pelo partido e em um candidato de sua região. É mais um detalhe a ser observado por nossos legisladores, quando se fala tanto em reforma política.