Os encontros de presidentes sul-americanos são, quase sempre, pontuados por temas que significam avanço no processo de integração regional, mas, invariavelmente, trazem um ranço de proselitismo ou de estatismo. Não foi diferente no encontro de ontem à tarde, em Buenos Aires, entre Cristina Kirchner, Lula e Hugo Chávez.
O avanço ficou por conta das relações argentino-brasileiras, especialmente, pelo encontro que os presidentes Lula e Cristina proporcionaram entre empresários dos dois países. É a iniciativa privada promovendo o desenvolvimento regional e a integração. No âmbito estatal também se tratou de algo importante que é o empreendimento conjunto da usina hidrelétrica de Garabi. Empreendimento importante para os dois países, mas, especialmente, para a Argentina que vive enfrentando problemas de falta de energia. Parar gerar energia, a iniciativa do estado é sempre bem-vinda.
Agora, a iniciativa do estado desnecessária ficou por conta do encontro que contou também com a presença de Hugo Chávez. Aí já se falou na criação de uma empresa aérea tri-nacional. Iniciativa que poderia começar com a falida Aerolíneas Argentinas. Ora, empresa aérea é para a iniciativa privada. Tanto que países do primeiro mundo acabaram privatizando suas deficitárias empresas aéreas estatais, a começar pela famosa British Airways. Fosse para estatizar empresa aérea, tínhamos que ter começado pela nossa Varig. E não será agora que a Varig foi literalmente para o espaço que iremos colocar dinheiro na Aerolíneas Argentinas.
Menos mal que Lula, alegando compromissos no Brasil, não ficou mais do 40 minutos com Chávez, para não ser contaminado pela mosca azul da estatização.