O duplo atentado contra a comitiva da ex-primeira-ministra do Paquistão Benazir Bhutto, que deixou mais de 120 mortos, se constitui em mais um nefasto episódio a fazer parte da história recente do país. Atos dessa natureza tem se repetido nos últimos anos. O mais recente foi em 09 de julho, quando forças de segurança atacaram a Mesquita Vermelha, em Islamabab, que estava sendo ocupada há uma semana pelos mujahideens, os fanáticos estudantes do islã que se transformaram em combatentes. Morreram mais de 150 pessoas.
O atual episódio se dá pelo fato de Benazir Bhutto não ter dimensionado adequadamente as garantias para o seu retorno ao país. Benazir governou o Paquistão em duas ocasiões, de 1988 a 1990 e de 1993 a 1996. Ela deixou o país em 1999, quando do golpe de estado dado pelo atual presidente Pervez Musharraf. Benazir não tem hoje garantias nem quanto à sua liberdade no Paquistão. Ela é acusada de corrupção durante o seu governo. Uma lei que torna inválidos processos por corrupção contra ela está sendo contestada nos tribunais, o que significa que a ex-primeira-ministra ainda pode ser presa. Desde as eleições gerais de 2002, Benazir Bhutto, que é líder do maior partido do país, o PPP, tem participado de negociações para dividir o poder com Musharraf. Essas negociações ainda não haviam chegado a uma definição e ela resolveu voltar ao país. Ou seja, atropelou o processo, o que é demonstrado pelos atentados contra sua comitiva.