Como já aconteceu nos departamentos de Santa Cruz, Pando e Beni, também em Tarija o plebiscito realizado neste domingo apontou o triunfo esmagador do estatuto de autonomia regional. Localizado no extremo sul da Bolívia, fronteira com Argentina e Paraguai, Tarija, com 391.226 habitantes e 173.231 pessoas autorizadas a votar, concentra as segundas maiores reservas de gás da América do Sul, com 1,36 bilhão de metros cúbicos. Tarija é responsável por cerca de 13% do PIB boliviano. Junto com os outros três departamentos que já aprovaram a autonomia, constitui a área mais produtiva da Bolívia.
O departamento, dirigido pelo prefeito de direita Mario Cossío, constitui a principal fonte de renda para o fisco, desde a nacionalização dos hidrocarbonetos, decretada em maio de 2006 pelo presidente Evo Morales. O referendo se desenvolve no momento em que a Bolívia passa por uma grave crise política e social. O diálogo está completamente bloqueado há meses entre o governo de Morales e a oposição conservadora do Partido Podemos, aliado aos governadores das quatro Províncias autonomistas. Para tentar sair da crise, Morales convocou para 10 de agosto um referendo nacional, pondo em jogo seu mandato de presidente, assim como o de vice-presidente e os de nove governadores regionais, entre eles seis que se opõem à sua política.
Como se observa, não se vislumbra possibilidade de solução da crise boliviana através do diálogo. E se tiverem mesmo que ir para o ponto extremo proposto pelo presidente, corre-se o risco de o resultado ser uma guerra civil. Está na hora, pois, de a diplomacia brasileira entrar em ação.