O diálogo na Bolívia está interrompido há algum tempo. Tanto, que quatro departamentos resolveram realizar plebiscito, onde a população aprovou a autonomia regional. Para tentar sair da crise, o presidente Evo Morales convocou para 10 de agosto um referendo nacional, pondo em jogo seu mandato de presidente, assim como o de vice-presidente e os de nove governadores regionais, entre eles seis que se opõem à sua política.
Agora, surge um decreto da Corte Constitucional, determinando a suspensão do referendo. Silvia Salame, a única magistrada interina do TC –após as quatro renúncias consecutivas de seus colegas meses atrás– provocou o abalo político ao ordenar, na terça-feira, à Corte Nacional Eleitoral que impeça a votação convocada para 10 de agosto. A magistrada defendeu nesta quarta-feira a polêmica decisão e recebeu apoio inicial dos governadores opositores, o da capital boliviana, Jose Luis Paredes, e o de Cochabamba, Manfred Reyes Villa. No entanto, o presidente da CNE, José Luis Exeni, ratificou hoje que a consulta continua em andamento com o argumento de que o decreto do alto tribunal não menciona expressamente em qualquer lugar “a suspensão do ato eleitoral”.
Ou seja, segue o desentendimento e a falta de diálogo na Bolívia, o que pode trazer drásticas conseqüências para o país, se não houver um acordo até 10 de agosto.