O Brasil decidiu, finalmente, pedir ao Irã que dialogue com dissidentes e minorias. Mais especificamente, que dê acesso aos inspetores da ONU, que dê fim à pena de morte, que dê proteção aos jornalistas, ativistas e integrantes da fé Bahá´i Um dia depois de o chanceler Celso Amorim ter dito, em reunião com a União Européia, que o Brasil quer ser o mediador de um acordo entre o Irã e a Agência Internacional de Energia Atômica, houve esta manifestação em Genebra, durante reunião do Conselho de Direitos Humanos da ONU. Segundo transpirou, o discurso apresentado pela embaixadora brasileira Maria Nazaré Farani Azevedo foi milimetricamente planejado, com idas e vindas entre Genebra e Brasília, com passagens também por Nova York.
Esta manifestação acontece também poucos dias depois de a iraniana Shirin Ebani, ganhadora do Prêmio Nobel da Paz de 2003, ter feito uma manifestação pedindo ao presidente Lula que, quando visitar Teerã, não se reúna apenas com os integrantes do governo, mas também com as lideranças de oposição. Lula, certamente, não vai fazer isto, mas conseguiu sair na frente, de forma muito sutil, com esse discurso em Genebra. Conforme ressaltou a embaixadora brasileira, “o Brasil,de forma educada, mas de maneira inequívoca, dialogou com o governo iraniano no conselho e passou-lhe as mensagens necessárias”.