E a diplomacia brasileira segue querendo ganhar o mundo. Agora o Brasil está tentando agir como mediador do conflito entre as duas Coréias. O Itamaraty divulgou nota hoje dizendo que “lamenta profundamente o episódio, que potencialmente pode constituir uma ameaça à paz na região, e se solidariza com o governo sul-coreano e com as famílias das vítimas pelas irreparáveis perdas sofridas.” E o Brasil convida “as partes envolvidas a absterem-se de quaisquer atos que ponham em risco a estabilidade da Península Coreana”.
A Coreia do Sul acusou formalmente na quinta-feira passada a Coreia do Norte de lançar um torpedo que causou o naufrágio do navio sul-coreano Cheonan em 26 de março em uma região disputada do Mar Amarelo. Uma investigação internacional sobre as causas do afundamento do Chenoan concluiu que um submarino norte-coreano disparou um torpedo contra a embarcação. O afundamento da coverta de 1.200 toneladas, perto da fronteira marítima com a Coreia do Norte, provocou a morte de 46 dos 104 marinheiros sul-coreanos. Foi o incidente mais grave ocorrido na disputada fronteira marítima do Mar Amarelo entre as duas Coreias desde o fim da guerra entre as duas nações, em 1953. O caso aumentou a tensão na península coreana. Vale lembrar que os dois países seguem tecnicamente em guerra, porque não houve a assinatura de um acordo de paz ao longo de todo este tempo, desde que terminou o enfrentamento militar, em 1953. Quem sabe agora, com a mediação do Brasil, seja assinado o tratado de paz? Doce ilusão.
Quanto ao confronto propriamente, suas possibilidades se ampliaram muito nos últimos dias. Confronto que, logicamente, não interessa a nenhuma das partes e, muito menos, às potências que dão sustentação militar a cada uma delas. Os EUA mantém 28 mil soldados na Coréia do Sul e a China sempre respaldou as ações da Coréia do Norte. Ao longo de muito tempo as divergências entre as duas Coréias eram o reflexo das diferenças entre americanos e chineses. Hoje, no entanto, Washington e Pequim estão muito próximos um do outro em seus interesses globais. São dois grandes parceiros comerciais e a maior parte dos títulos da dívida pública americana está de posse da China. Este novo relacionamento entre EUA e China está sendo reforçado agora com a visita a Pequim da secretária de Estado Hilary Clinton. Então, os dois principais apoiadores tratarão de evitar o confronto, que também não interessa para as Coréias. O diferencial, no entanto, é o ódio de uns pelos outros e o desequilíbrio do ditador norte-coreano Kim Jong-il.