O Brasil está se envolvendo em missões no exterior cada vez mais difíceis. Além de todo o envolvimento que temos no Haiti, estamos agora iniciando uma missão dita de paz no Líbano. Esta missão começou na quarta-feira com a chegada a Beirute do contra-almirante Luiz Henrique Cairolli e uma equipe de oito militares. É o batalhão precursor da força tarefa marítima da Unifil, a missão de paz da ONU no Líbano, que contará com oito navios e 885 homens. Sua missão principal será evitar conflitos entre Israel e o Hezbollah, a milícia xiita radical que ocupa o sul libanês. A esquadra terá a incumbência de inspecionar navios suspeitos e impedir a entrada de armas no Líbano.
Só para citar um exemplo do risco que a esquadra corre de se meter em situações embaraçosas, lembro o caso da chamada “Frota da Liberdade”, que levava ajuda humanitária para a Faixa de Gaza e foi interceptada por forças israelenses. No conflito morreram nove integrantes da frota. Lembro também que a Marinha brasileira não tem a mínima experiência em ações deste tipo. Tanto que receberá treinamento por parte da Otan. A organização Atlântica disponibilizou para a frota brasileira o seu centro de treinamento para missões de Interdição Marinha, que funciona na baía Souda, na ilha de Creta. Lá os militares brasileiros receberão treinamento, em ações que simularão episódios que poderão acontecer na missão.
E aí é de se perguntar: porque o Brasil está assumindo este risco? Em nome de uma cadeira que pretende ter de forma permanente no Conselho de Segurança da ONU? E se for, que benefícios irá trazer esta cadeira?
Enfim, tudo é indagação, mas o risco de meter-se em um conflito é grande. Ainda mais em se tratando de Oriente Médio.