A chacina de 72 pessoas, entre elas quatro brasileiros, no estado de Tamaulipas, no México, está inserida no contexto histórico das migrações do território mexicano para os EUA. A transposição da fronteira entre os dois países, nos primeiros tempos, envolvia apenas mexicanos que buscavam melhores condições de vida no mercado americano. Mas logo em seguida vieram as drogas, que encontram mercado fértil para a cocaína e a heroína do outro da fronteira. E mais adiante vieram os cidadãos de outros países, inclusive do Brasil, em busca dos serviços dos “coiotes”, os guias integrantes das gangues que dão proteção para a passagem, em troca, evidentemente, de um bom pagamento em dólares. Não é sem razão que, por pressão dos EUA, o México passou a exigir visto de brasileiros para entrarem em solo mexicano.
Ao mesmo tempo, o governo de Felipe Calderón passou a desencadear uma guerra contra as gangues do narcotráfico. Na medida em que foram se sentindo acuadas, as gangues passaram a lutar entre si, pelo mercado que se tornava mais difícil. O presente episódio do massacre de 72 na fazenda de San Fernando está inserido na luta entre dois cartéis do narcotráfico: o Golfo e o Los Zetas. Só resta recomendar aos brasileiros que aproveitem para passear pelo México, que é um país muito bonito. Mas que não se atrevam a tentar cruzar ilegalmente a fronteira.