(Artigo publicado no Correio do Povo de domingo, 18/04/2010)
Líderes do Bric desfilaram esta semana por Brasília, dando mais visibilidade para esse grupo de países emergentes. O termo Bric é uma expressão criada pelo economista-chefe do Goldman Sachs, Jim O’Neill, em 2001, visando orientar os investimentos dos clientes do banco. Ele vislumbrou nestes quadro países aqueles que iriam crescer de forma acentuada, de modo a ultrapassarem os atuais ocupantes das 10 primeiras colocações em termos de economia mundial. Tanto que as projeções apontam que até a década de 2020 a China se tornará a segunda economia do mundo, o Brasil a quinta e a Rússia a sexta. Os números vem domonstrando que as previsões de O’Neill se confirmam. O crescimento do grupo é puxado pela China que, mais uma vez, tem crescimento do PIB acima dos dois dítidos. Passou de 10,7% no último trimestre do ano passado para 11,9% no primeiro trimestre deste ano, segundo dados divulgados nesta quinta-feira em Pequim e que surpreenderam as expectativas dos economistas. Para referendar o peso do bloco, vale lembrar que ele representa 26% do território do globo, 42% de sua população e 14,6% do PIB mundial. E nos últimos anos, conforme palavras do presidente russo Dmitri Medvedev, “a contribuição do Bric para o crescimento da economia mundial tem superado 50%”.
O Bric não é um bloco econômico, e sim uma associação comercial, onde os países integrantes apresentam situações econômicas e índices de desenvolvimento parecidos, cuja união visa à cooperação para alavancar suas economias em escala global. Brasil, Rússia, Índia e China apresentam vários fatores em comum, entre eles podem ser citados: grande extensão territorial; estabilidade econômica recente; Produto Interno Bruto em ascensão; disponibilidade de mão de obra; mercado consumidor em alta; grande disponibilidade de recursos naturais; aumento nas taxas de Índice de Desenvolvimento Humano; valorização nos mercados de capitais; investimentos de empresas nos diversos setores da economia.
A propósito, China e Brasil aproveitaram o encontro de seus presidentes nesta quinta-feira para assinar acordos de comércio e investimentos. Uma ampliação do intercâmbio comercial entre os dois países que, desde 2003, teve um “pequeno” crescimento de 780%. O encontro abriu apossibilidade para que a China construa uma fábrica de aço no Brasil, o que seria o maior investimento da China na América Latina. Aliás, o intercâmbio com o Brasil e a presença da China na região são fatores crescentes e que causam preocupação em outras bandas. A China tomou o lugar dos EUA como primeiro parceiro comercial do Brasil. Isto a coloca em posição de força na região, o que preocupa Washington. Sem contar o fato de que os chineses estão vendendo armas para Bolívia, Equador e Venezuela.
Ocorre, no entanto, que o grupo do Bric está tendo muita aproximação pelo lado comercial, porém, nos aspectos político, social e cultural, existem muitas diferenças. E até algumas animosidades históricas, como entre China e Índia. É por causa dessas diferenças que o criador do termo Bric, Jim O’Neill, entende que, apesar do entusiasmo com o dinamismo econômico demonstrado pela maioria dos países do grupo, duvida da capacidade de conseguir ampliar sua agenda de discussões devido suas grandes diferenças no âmbito político e social. Até pode ser, mas o peso econômico do bloco é cada vez maior no cenário mundial. E este peso econômico pode se reverter também em peso político.