Com apenas 30% de aprovação popular, o presidente do Peru Alan Garcia está enfrentando graves dificuldades internas. Além da crise econômica o país enfrenta uma revolta indígena que já deixou mais de 50 mortos, sendo 23 policiais e os demais civis, o que dá uma demonstração da violência que está presente no vizinho país.
O foco da questão está na Amazônia peruana. E trata-se de mais um conflito entre o antigo e o moderno. O conservador e o transformador. Os manifestantes querem que o governo volte atrás em decretos que, segundo os índios, desabilitaram o sistema tradicional de posse comunitária de terras. Ocorre que o governo vem trabalhando intensamente para promover a exploração de gás e de petróleo na Amazônia. Já teria até aberto concorrência para tal.
O problema todo é que o presidente Garcia tomou essa atitude sem consultar as comunidades indígenas. Faltou-lhe habilidade política. Ao invés de primeiro mostrar para os índios a importância de uma parceria em suas terras, primeiro fixou o decreto, para depois negociar. Daí a revolta contra as medidas e a consequente maior dificuldade para um acordo. E, na decorrência, maior perda de popularidade do presidente.