Com a morte de quatro soldados americanos, devido à explosão de uma bomba ontem, em Bagdá, chega-se ao significativo número de 4 mil soldados americanos mortos no Iraque. E a dedução é que este número continuará aumentando, porque, tão cedo, os EUA não vão sair do Iraque. O vice-presidente Dick Cheney ainda está fazendo o seu périplo pelo Oriente Médio, em busca de alianças que ajudem a dar sustentação ao projeto que ele lidera. Projeto que consiste na manutenção desta guerra.
Vejam que neste final de semana tivemos pelo menos mais 47 mortos no Iraque. Mas ninguém mais se abala com o número. O presidente Bush conseguiu tornar naturais, entre aspas, os números da guerra. Lê-se todos os dias sobre atentados no Iraque como se lê sobre a seca que atinge a África ou o terremoto que abala a Ásia. Tudo parece contingências da natureza, contra o que nada se pode fazer.
Como diz o jornalista Marcos Nobre, “o complexo militar dos EUA aprendeu bem a lição do Vietnã. Com um exército profissionalizado e estratégias para minimizar ao máximo as baixas, não é mais só o caso de entrar para vencer militarmente. Hoje, a superioridade tecnológica garante isto facilmente. O segredo é entrar numa guerra para não sair. Nesta lógica, é fundamental manter frentes militares permanentes”. E agora vem o que há de mais deplorável: “Bush usou o cataclisma do 11 de setembro para instituir essa nova estratégia bélica.”