O mundo conseguiu com Barack Obama o que não havia conseguido com George Bush: o consenso para uma declaração final, propondo um plano detalhado rumo ao desarmamento nuclear mundial e uma zona livre de armas nucleares no Oriente Médio. A declaração, que envolve 189 países, foi retirada ao final desta sexta-feira, por ocasião de reunião realizada na sede da ONU em Nova York. Segundo o novo plano de ação, as cinco potências atômicas oficiais – EUA, Rússia, Reino Unido, França e China – se comprometem a acelerar a redução de seu arsenal nuclear, tomar outras medidas para reduzir a importância de armas atômicas, e dar um retorno sobre a situação até 2014. Uma nova conferência ficou marcada para 2012, “sobre o estabelecimento de uma zona livre de armas nucleares e todas as outras armas de destruição em massa no Oriente Médio”.
Bem, quando se fala em armas nucleares no Oriente Médio vem logo à tona dois países: Israel e Irã. Israel não afirma, porém, também não nega que possui arma atômica. No entanto, é consenso de que as tem em usina no deserto de Neguev. Há inclusive o depoimento ao jornal britânico The Guardian de um israelense que trabalhou num desses projetos, confirmando a existência de cerca de 200 ogivas. Então, a estratégia de declarar o Oriente Médio sem armas nucleares se constitui num cerco a Israel. E, ao mesmo tempo, numa pressão sobre o Irã, o outro candidato a ter a bomba na região.
Assim, a estratégia está bem montada, resta ver se vai dar certo. Como resta ver, para poder acreditar, na disposição das cinco potências de reduzir seus arsenais.