A liberdade de imprensa está levando um golpe neste fim de semana aqui na América Latina. A meia noite de amanhã a RCTV, uma emissora de televisão que opera há 50 anos na Venezuela – sendo, portanto, uma das mais antigas da região – deixará de operar. Simplesmente, porque o governo de Hugo Chávez não renovou a sua concessão. E não renovou pelo fato de a emissora fazer sistemática oposição ao governo.
E quando se fala governo, se engloba não só o executivo, mas também o legislativo e judiciário. Pois todos os três órgãos estão nas mãos de Chávez. O que atesta, evidentemente, que ele tem sabido manipular as instituições. A oposição tem avaliado tão mal as suas ações, que decidiu boicotar as eleições legislativas e, com isto, concedeu a maioria de mão beijada para Chávez. Com o que, a sua líder na Assembléia, Cília Flores, pode dizer que a decisão teve o apoio da maioria do parlamento.
A decisão, no entanto, é tão absurda que tem merecido a crítica de organizações tão isentas como a União Européia ou a Comissão Interamericana de Direitos Humanos da OEA. Sem contar outras, que se poderia arrolar como suspeitas, como a Comissão do Senado dos EUA. Mas, naquele país, é preciso ressaltar, é onde mais vigora a liberdade de expressão.
Mas, enfim, este é jeito Chávez de governar. E o pior é que ele tem muitos adeptos por esta América Latina, onde faz escola.