O presidente da Venezuela Hugo Chávez está usando, mais uma vez, a tática de contra-atacar quando está sendo atacado. Esta semana, o governo da Colômbia denunciou que apreendeu com as Farc armas de fabricação sueca que haviam sido vendidas ao exército da Venezuela. Hugo Chávez considerou o fato um absurdo, chamou de irresponsável o presidente colombiano Álvaro Uribe e anunciou a retirada do embaixador em Bogotá, assim como parte do pessoal diplomático que atua na Colômbia. Nos seus tradicionais rompantes, disse Chávez na televisão oficial. “Esse governo [da Colômbia] dá vergonha, é dirigido por irresponsáveis da pior espécie que eu já vi.”
Fez essas declarações sem se dar conta da investigação que fora feita pelas autoridades colombianas. Acontece que o exército colombiano capturou de mãos das Farc lança-foguetes de longo alcance de fabricação sueca. Até aí não quer dizer nana, pois se pode comprar no mercado negro qualquer tipo de arma. Possivelmente, era nisso que Chávez estava apostanto. Só que o exército colombiano tomou providências. Após a constatação, o governo colombiano entrou em contato com o governo da Suécia, cuja embaixada em Bogotá confirmou que os números de série das armas correspondem a um lote vendido pela empresa Saab Bofors Dynamics ao Exército da Venezuela, segundo a revista “Jane´s”, especializada em armamentos.
A estas alturas, Chávez está apenas fazendo teatro com a retirada de seu embaixador. E mais: vai ter que responder ao governo da Suécia, que está indagando como que essas armas foram parar nas mãos das Farc.
Mas, como se não bastasse, o jornal colombiano “El Tiempo” publicou um artigo, citando altas fontes do Executivo, no qual destacava que o governo estava analisando “informação confiável”, que indica que as Farc concretizaram um negócio para adquirir mísseis russos através de contatos localizados na Venezuela.