O presidente da Venezuela Hugo Chávez deu mais um passo no seu processo de consolidação do “socialismo do século 21”. Neste fim de semana, colocou em funcionamento o Partido Socialista Unido da Venezuela, a nova agremiação que visa juntar num só todos os partidos que dão sustentação a Chávez. A largada foi dada por dois mil “propulsores”, que ficarão responsáveis pela difusão e pelo cronograma a ser desenvolvido para consolidação do PSUV.
É nesse novo partido que Chávez pretende alicerçar o seu terceiro mandato. Para levar adiante suas pretensões, o dirigente bolivariano já tem aprovados a Lei Habilitante, que lhe dá plenos poderes para governar por decreto durante um ano e meio, assim como tem o controle do Judiciário. Agora, com o partido único, quer a aprovação da reforma da Constituição, de modo a que possa reeleger-se indefinidamente.
Apesar de obter esses avanços significativos em seu projeto, Chávez começa a experimentar uma crescente contestação às suas idéias. Uma pesquisa realizada pela organização Hinterlaces. Revela que a popularidade de Chávez ainda segue alta, mas a contestação às suas idéias aumenta, especialmente entre a classe média. Mas também entre segmentos que lhe dão sustentação. E para melar ainda mais as perspectivas futuras, vem a informação de que hoje o país está lançando cinco bilhões de dólares em bônus da Petróleo da Venezuela, na maior operação desse tipo na história do país. O objetivo é financiar a estatal petroleira e enxugar a liquidez no mercado interna para estancar a inflação.
Como se vê, além da inflação que correi salários, Chávez está com problemas de liquidez na PDVSA, que é a grande financiadora de seus projetos populistas. Se essa fonte secar, secam suas ações benemerentes. E, por extensão, seu prestígio.