O presidente Hugo Chávez segue conspirando contra a frágil democracia da Venezuela. Como todo ditador que se preza, quer se perpetuar no poder e desarticular os governadores de oposição que foram eleitos recentemente.
Embora derrotado no plebiscito realizado no ano passado, em que buscava reeleição por tempo indefinido, Chávez não desiste. Neste domingo ele autorizou seus correligionários a iniciarem movimento pela mudança na Constituição, de modo a que possa ficar na presidência, como ele mesmo disse, até 2.019 ou 2.021. É a sua primeira reação após o resultado as eleições governamentais de duas semanas atrás, em que ganhou em 17 dos 22 estados, mas perdeu nos de maior poder econômico. Seria o mesmo que ganhar, aqui no Brasil, a maior parte dos estados, mas perder no Rio, São Paulo, Minas, RS e Bahia.
O resultado desta eleição se constituiu na primeira mostra de que a oposição começa a se rearticular na Venezuela. E, sentindo isto, Chávez veio com um outro primor: pediu aos militares e a seus apoiadores para estarem prontos para uma disputa dura com os recém-eleitos governadores e prefeitos da oposição, dizendo a seus partidários para estar “preparados para morrer pela revolução”. E foi além: disse estar consciente de um pré-cenário de violência e que os governadores de oposição são fascistas.
Ora, quem está armando o cenário de violência é ele mesmo. Que não se dá bem com a democracia.