Enquanto por aqui pela América Latina se luta pela preservação da democracia, o que significa preservação da liberdade de locomoção e de expressão, do mundo árabe vem uma informação que se choca frontalmente com esses preceitos. Uma corte da Arábia Saudita condenou nesta quarta-feira Mazen Abdul-Jawad a cinco anos de prisão e mil chibatadas por falar publicamente sobre sexo numa entrevista a um programa de TV sobre sua vida sexual. Na ultra conservadora Arábia Saudita as liberdades são restringidíssimas. Quem manda no país é a família real, descendente de Saud – daí o nome Saudita – que ao longo do tempo se sucede no poder. A imprensa, obviamente, é controlada pelo governo e tudo funciona estritamente dentro do que determina o Corão. E sexo é tabu. Não se pode falar em público. Abdul-Jawad parece ter sofrido do mesmo mal do ministro Ricupero aqui no Brasil. Disse que falou muitas coisas pensando que estava fora do ar, que não estava sendo gravado. Por isto, quer entrar com ação contra o canal libanês LBC.
Na Arábia Saudita também é proibido o álcool. Lembro de uma vez em que estava lá e que um diplomata inglês saiu da sede da embaixada bêbado. Foi preso e, como tal, deveria sofrer chibatadas em praça pública. Houve um problema diplomático e saída encontrada foi dar as chibatadas de forma simbólica, sem ferir.
Como se observa, uma realidade bem diferente da nossa. Com todos os pesares de nossa América Latina, mais do que nunca temos que saudar as liberdades democráticas.