A partir do dia 11 de março o Chile voltará a ter um governo de direita. Porém, um governo da direita moderada e que chega à presidência pela via do voto. Nada que se iguale à ultra direita radical do general Augusto Pinochet, que governou o país com mão de ferro, depois de ter assumido o poder em um golpe militar. Os tempos são outros hoje no Chile. A começar pela forma altamente cordial com que se trataram os candidatos que disputaram neste domingo o segundo turno da eleição: o engenheiro e empresário Sebastián Piñera, da Coalizão para a Mudança, de centro-direita, que teve 51,5% dos votos, e o engenheiro e ex-presidente Eduardo Frei, da Concertação, de centro-esquerda, que chegou a 48,5% dos votos. Frei cumprimentou Piñera pela vitória, posou para votos ao lado dele e disse que agora iria para o Senado, para fazer parte de uma oposição construtiva, desejando que tudo venha a correr bem, pois isto é o mais importante para o país. Piñera recebeu cumprimento também da presidente Michele Bachelet, a que disse que irá pedir conselhos, tendo em vista o bom governo que realizou.
Como se observa, o Chile dá uma lição de democracia, mostrando que é possível se ter divergências políticas e se conviver em alto nível.