A maior prioridade do Partido Comunista Chinês continuará sendo o crescimento econômico, mas dando atenção às fissuras sociais. Para isto, o país vai tentar mais do que duplicar a renda per cápita do país. Este foi o ponto básico do discurso do presidente da China, Hu Jintao, ao discursar na abertura do 17º Congresso do PCC, em Pequim.
Hu ressaltou que o desenvolvimento rápido é maior conquista dos últimos cinco anos. E esse crescimento deve ser acelerado. Tanto Hu quanto seu antecessor Jiang Zemin – que travam uma disputa de poder dentro da legena – destacaram em suas falas a intenção do governo de quadruplicar o PIB entre 2000 e 2020, quando a China se transforaria em sua sociedade moderadamente próspera. A renda per cápita atual corresponde a dois mil dólares. A meta é passar para cinco mil dólares.
Hu, que terá mais cinco anos no poder, prometeu introduzir mais democracia na maior organização política do planeta. Democracia relativa, porque ele lembrou aos membros do partido que eles tem de sempre concordar com seus líderes. É claro que a palavra democracia soa extranha numa organização de um só partido. Mas o que o comando chinês pede é uma democracia intrapartidária, permitindo que os membros participem mais do processo decisório. Mas, como foi ressaltado, tendo que concordar com as lideranças.
O presidente e secretário-geral do PCC defendeu maior transparência e reformas que tornem mais competitivas as eleições internas do partido. Nada, no entanto, que ameace o modelo de partido único. Hu deixou claro que a China continuará sendo conduzida exclusivamente pelo PC, que continuará a ser o contro que congrega os esforços vindos de todos os quadrantes.
O discurso de Hu Jintao durou duas horas e 20 minutos e foi cheio de elogios às políticas passadas. Muito embora o crescimento das últimas três décadas tenha gerado um desastre ambiental na China, com a contaminação da maioria dos rios, chuva ácida em 30% do território e a multiplicação de mortes rpovocadas pela poluição.
Hu defendeu iniciativas de apoio à população rural, que engloba 52% da população chinesa, bem como a criação de uma rede de proteção social. Sabe-se que na China a maior parte do trabalho é feito em condições de semi-escravidão. E a ausência de uma rede proteção social, o rápido aumento das desigualdades de renda e as disparidades regionais, estão as causas do agravamente das tensões sociais
Para tentar diminuir a enorme distância entre ricos e pobres, Hu falou em implementar um programa de desenvolvimento científico. Nada, porém, ficou muito claro. Mais parece um conjunto de princípios vagos e esparsos que dariam suporte a uma economia harmoniosa do ponto de vista social.
Enfim, o que se percebeu é que o país seguirá dando suporte aos fatores que impulsionam o crescimento do país, que são investimentos e exportações, o que deve dar um superavit comercial para a China este ano da ordem de 300 bilhões de dólares.