Ao passar para o mundo a informação de que o próximo passo da resistência tibetana será organizar comandos suicidas para cometer ataques violentos, o governo chinês esquece o fato notório de que a filosofia dominante no Tibete é a do pacifismo. O país, que recebeu sobre si a pata do gigantesco tigre chinês, é uma monarquia religiosa que prega fundamentalmente a paz. O que, aliás, é expresso pelas ações do monges budistas, que circulam pelo país, vestidos com seu hábitos de cor laranja e pregando o entendimento.
No entanto, esse povo pacato sofre a intervenção chinesa desde 1951. Ou seja, desde dois anos após instalar-se o regime comunista, com a revolução vitoriosa de Mao Tsé-tung. Com isto, estabeleceram-se em Beijing e Lhasa dois regimes diametralmente opostos. Um ateu e comunista. O outro, religioso e monárquico. Não poderia dar certo.
O problema é que o Tibete tem todo o direito de viver como uma nação independente, mas não consegue. E tampouco se vislumbra que algum país possa intervir em seu favor, ousando enfrentar o poderio chinês. Assim, ficam só na ameaça de boicote aos Jogos Olímpicos. O que não é suficiente. Já tivemos um histórico de boicotes a Jogos Olímpicos. Em 1980, os EUA e uma série de outros países não compareceram à Olimpíada de Moscou, em protesto pela invasão do Afeganistão pela então União Soviética. Quatro anos depois, os soviéticos, em represália, boicotaram a Olimpíada de Los Angeles. Nada disto teve qualquer efeito prático.
Talvez os ataques denunciados por Beijing pudessem ter algum efeito. Mas, sabe-se que isto não é da índole dos tibetanos. É apenas uma estratégia do governo chinês, querendo se fazer de vítima.