Enquanto que na Argentina, finalmente, Cristina Kirchner resolveu dialogar com os produtores, mas, sem chegar a acordo, na Colômbia volta-se a falar nas Farc e em Ingrid Betancourt. A ex-candidata à presidência colombiana, que está sequestrada desde 23 de fevereiro de 2002, estaria muito doente e teria sido levada para atendimento em postos de saúde de San José e de El Retorno. Ou seja, andou recebendo tratamento em duas cidades, por onde os guerrilheiros transitaram com ela, sem que nada acontecesse. Nenhuma reação policial, numa demonstração de que a guerrilha circula livremente por determinadas áreas do país.
O governo colombiano acenou com a troca de prisioneiros das Farc por reféns, onde se incluisse Ingrid. Uma proposta que merece consideração. Mas que não contempla ainda uma das questões que é colocada pela guerrilha: a criação de uma zona desmilitarizada de 800 km² nos povoados de Florida e Pradera. Conforme disse o ex-marido de Ingrid, Juan Carlos Lacompte, se o governo colombiano contemplasse essa reivindicação tudo poderia se tornar mais fácil. Teoricamente, sim. Porque estaria sendo atendida a reivindicação da guerrilha. O que, na prática, pode não ser a mesma coisa.
De qualquer maneira, o fato traz à tona novamente o pavor e a angustia que vivem tantas famílias colombianas, alguns com entes queridos seus sequestrados há mais de dez anos, como é o caso do soldado Pablo Moncayo, sequestrado em 1996, quando tinha 18 anos de idade. E esta proposta do governo, quem sabe, possa romper com a inércia a que foi levada a situação do país.