A secretária de Estado norte-americana Condoleezza Rice resolveu assumir uma posição firme com relação ao conflito no Cáucaso, dizendo que a Rússia não ficará impune pelo ataque à Geórgia. Suas palavras textuais foram: “Não estamos em 1968. A Rússia não pode fazer o que quiser, invadir um país e sair impune”. Realmente, nenhum país que invade outro deveria sair impune. A norma deveria valer para todos os países. Mas não vale. Especialmente, para quem está acusando. Nunca é demais lembrar que os EUA invadiram um país, o Iraque, em nome de armas de destruição em massa que nunca existiram. Ou seja, em nome de uma mentira.
O fato é que os poderosos sempre extrapolam suas ações. A Rússia deveria ter limitado suas ações à Ossétia do Sul. Poderia, inclusive, ter corrido com as tropas da Geórgia do território daquela província independentista, mas não poderia atacar cidades da Geórgia como fez. E, segundo o governo georgiano, ainda está fazendo. Os grandes são incontroláveis.
Mas, e a punição à Rússia lembrada por Condoleezza? Ela disse que não vivemos em 1968, lembrando o episódio da Primavera de Praga, quando as tropas do Pacto de Varsóvia, sob o comando de Moscou, invadiram a Tchecoslováquia. Ninguém fez nada naquela ocasião em defesa dos tchecos ou para punir Moscou. Como também ninguém sairá agora, neste 2008, em defesa da Geórgia ou contra a Rússia. De modo que a declaração da secretária de Estado é apenas para efeito de mídia.