A questão referente à construção de casas em Jerusalém Oriental é algo cada vez mais definido pelo governo de Israel, que não está mais ligando para as pressões por parte dos EUA. Basta ver que houve a autorização para a construção de 1600 casas justo no dia em que o vice-presidente americano Joe Biden chegava a Israel, duas semanas atrás. E ontem, houve nova autorização para novas construções, no dia em que o primeiro-ministro Benyamin Netanyahu se reunia com o presidente Barack Obama em Washington.
A construção de casas em Jerusalém Oriental, que é território de maioria árabe e que é reivindicado para futura capital do Estado da Palestina, já se tornou uma política de governo para Israel. A cada dia se tem uma nova manifestação nesse sentido, como a de Netanyahu, afirmando que isto vem sendo feito há 42 anos e não vai parar.
A pergunta que se faz então, é como é que fica o processo de paz com os palestinos. Pois a conclusão é de que, se a condicionante para o acordo de paz for a retomada de Jerusalém Oriental, este acordo não vai sair. Esta é a realidade que se depreende hoje na região. Com o que, evidentemente, vamos ter a continuação dos conflitos.
VISTAS GROSSAS
Teoricamente, as divergências entre EUA e Israel continuam. Afinal, nos últimos dias tem sido intensas as manifestações de representantes do governo americano criticando a decisão israelense de autorizar novas construções em Jerusalém Oriental, que é área reivindicada pelos palestinos. Na prática, no entanto, essas divergências foram abafadas com a visita a Washington do primeiro-ministro de Israel Benyamin Netanyahu. O encontro de Bibi com Obama foi a portas fechadas. Não houve fotografia e nem comunicado conjunto. À primeira vista, houve um desacordo. Porém, segundo transpirou, como Obama não conseguiu convencer Bibi a parar com as construções, teria pedido a ele que deixe de anunciar essas novas construções. Uma estratégia de “não pergunte, não fale”. Algo semelhante ao que foi adotado com referências aos gays assumidos nas Forçar Armadas americanas.
Na prática, Netanyahu dobrou Obama e os assentamentos vão continuar.