O protesto dos produtores agro-pecuários argentinos entra hoje no seu décimo-quinto dia. Ontem à noite, a presidenta Cristina Kirchner foi homenageada, entre aspas, com o seu primeiro cacerolazo. Donas de casa foram às ruas bater panelas, para protestar contra a falta de gêneros de primeira necessidade. Ou seja, produtores e consumidores estão descontentes com o governo.
E não é para menos. Nas prateleiras de supermercados falta a carne, o principal produto da dieta dos argentinos. Mas faltam também o leite e os seus derivados, o trigo e seus derivados, o frango e os ovos, verduras, legumes, etc.. Enfim, está faltando tudo que é básico para a alimentação do argentino.
E por que está faltando? Porque os produtores bloquearam a entrega pelos mais diversos pontos do país. Filas de caminhões se estendem por vários quilômetros. E por que os produtores fizeram isto? Porque o governo está botando a mão grande nos rendimentos dos produtores.
No dia 11, o governo anunciou a quarta retenção das vendas externas de grãos. Ou seja, a quarta elevação de tarifa sobre as exportações de grãos e sem direito a devolução. Para a soja foi criada uma escala móvel: quanto mais o preço sobe no mercado internacional, maior é a retenção, que começa em um piso de 20% e vai até 44%. Porém, se a cotação atingir 580 dólares por tonelada, o governo fica com 95% da diferença. Então, põe mão grande nisso aí. Os pecuaristas, tradicionais exportadores de carne, não conseguem exportar, porque o governo quer maior oferta interna do produto para não fomentar a inflação.
A pergunta que os argentinos fazem é sobre o destino do dinheiro que o governo retém, porque as estradas do país estão em condições cada vez piores. Independentemente deste aspecto, o fato é que o governo de Cristina Kirchner está conseguindo desestruturar o setor responsável pela recuperação econômica do páis e, ao mesmo tempo, está desabastecendo a população.