A presidente Cristina Kirchner deve fazer um anúncio hoje que pode sacudir os dois principais jornais da Argentina, Clarín e La Nación. Cristina pode anunciar o pedido judicial de anulação do negócio que deu aos dois jornais o controle acionário da empresa Papel Prensa, que produz o papel para os dois jornais e distribui para mais outros 170 no país. Há muito que Cristina vem batendo de frente com a imprensa, porque esta tem feito a defesa do outro setor com o qual ela vem batendo, o do agronegócio. E tem, ao mesmo tempo, denunciado as falcatruas do casal Kirchner, como a cobrança de propina nos negócios feitos com a Venezuela, entre outras coisas.
Cristina já tentou bloquear a concessão do sistema de TV a cabo para o Clarín, mas não conseguiu. Agora tenta anular a compra da Papel Prensa, feita em 2 de novembro de 1976, em pleno período da ditadura militar. O argumento é de que a então proprietária da empresa, Lídia Papaleo, viúva do empresário David Gravier, que era vinculado ao movimento guerrilheiro “Montoneros”, teria sido forçada, sob tortura, a fazer o negócio. Ou seja, Cristina tenta atrelar os jornais à ditadura que dominou a Argentina de 1976 a 1983, para conseguir o seu intento.