Hoje é um dia especial para Cuba. O país celebra o Dia da Rebeldia, que lembra a tentativa de invasão do quartel de Moncada, a primeira ação armada liderada pelos irmãos Castro contra o ditador Fulgêncio Baptista, fato ocorrido a 26 de julho de 1953. Seis anos depois eles acabariam tomando o poder na ilha, onde dominam até hoje.
Casualmente, foi na celebração do ano passado que se deu a última aparição pública de Fidel Castro. Cinco dias depois ele teve que ser submetido às pressas a uma cirurgia no intestino, tendo se afastado do poder, que ficou sendo exercido por seu irmão Raúl. Esperava-se que hoje Fidel pudesse fazer uma nova aparição, mas isto já foi descartado ontem, em anúncio no jornal Granma, dizendo que o pronunciamento estará a cargo de Raúl.
O Dia da Rebeldia em Cuba equivale ao Dia de Ação de Graças nos EUA, ou seja, é uma ocasião em que o governo faz uma espécie de prestação de contas à população. O problema é que Raúl não tem quase nada a dizer à população, a não ser que está tomando providências para diminuir a ineficiência e a corrupção. Dois males cruciais do país. E não poderia ser diferente, em um país em que o salário médio é de 15 dólares e onde a cesta básica fornecida pelo governo, a preços subsidiados, alcança apenas duas semanas.
Não é sem razão que quatro atletas cubanos que participam dos Jogos Pan-Americanos já resolveram ficar aqui no Brasil. Afinal, isto até é pouco coisa comparado com aqueles que arriscam a vida, se lançando em pequenos botes, na tentativa de chegar até a Flórida.