– j.soares@cpovo.net –
Esta semana fecha entre as manifestações pela perda de Steve Jobs e a designação do Prêmio Nobel da Paz a três mulheres. Jobs é definido como aquele que deu luz à tecnologia da informação. Sem dúvida, foi o transformador do mundo da era analógica para a digital. A imagem que fica dele é aquela em que aparece defronte um telão,vestindo tênis, calça jeans e camiseta preta, e fazendo o lançamento de um novo produto. Produto este que as novas gerações assimilam com a maior facilidade, mas que, para alguém como eu, atravessando a faixa dos 60, é um grande desafio. Desafio que, com o auxílio dos filhos – um dos quais tem uma agência digital – consigo ir vencendo. Assim como faz muita gente pelo mundo afora, pois não se pode desconsiderar a transformação que os inventos de Jobs têm provocado em nossas vidas.
Alguém disse que deveria ser proibido um homem com o talento de Jobs morrer aos 56 anos de idade. É verdade. Mas foram anos intensamente vividos e que nos deixam uma enorme lição de vida. A maior delas é a mensagem que ele passou, em 2005, quando recebeu homenagem na Universidade Stanford. Disse que não tinha concluído um curso universitário, mas nunca tinha desistido de fazer o que gostava. E o que gostava era fazer caligrafia. Fator que, como revelou, aprimorou no curso de Letras e, mais tarde, foi determinante na criação de seus aparelhos revolucionários, como o primeiro computador Macintosh e os aparelhos iPod, iPhone, iPad, etc. Como disse, o importante é acreditar em alguma coisa que se gosta e ir em frente em sua busca. Mesmo que isto implique em tropeços, como o dele que, depois de ter fundado a Apple, foi dispensado da mesma. Porém, deu a volta por cima, retornou e transformou a empresa na de maior valor de ações no mercado. Melhor dizendo, transformou aquele pequeno negócio, iniciado na garagem da casa de seus pais, na empresa mais valiosa do mundo.
E a outra lição que Jobs deixou é de que, mesmo diante de uma doença terrível, como o raro câncer de pâncreas que teve, não se deve esmorecer. Enquanto se tiver forças se deve produzir.
Já as ganhadoras do Prêmio Nobel da Paz são três mulheres desconhecidas: Ellen Johnson Sirleaf e Leymah Gbowee, ambas liberianas, e Tawakkul Karman, do Iêmen. Muito embora a primeira seja desde 2006 a presidente da Libéria e a primeira mulher a chegar neste posto na África. Porém, sempre que se falou em mulher no poder, se citou Angela Merkel, na Alemanha, Michelle Bachelet, enquanto este no cargo no Chile, Indira Gandhi, na Índia, agora Dilma aqui no Brasil, e por aí afora. Nunca se falou em Ellen. Simplesmente, porque é a triste sina da África, estar alijada dos noticiários. Mesmo que por lá as guerras, as atrocidades e a fome matem muito mais do que no Oriente Médio. Bem, mas se fala muito na Líbia, que está na África! Sim, porque ela tem petróleo.