Em palestra ontem à noite na PUC, aqui em Porto Alegre, o sociólogo americano Immanuel Wallerstein, fez uma abordagem sobre o atual cenário internacional, concluindo que EUA estão em decadência e que ester afundamento está sendo acelerado pelo erro estratégico do Iraque. Disse ele que, em poucas décadas, a grande potência mundial não será mais do que um sócio júnior de três grandes concorrências mundiais, ao lado da Europa e do Japão.
Pois essa abordagem coincide com a que está sendo feita pelo sociólogo e economista italiano Giovanni Arrighi, que é professor da Universidade John Hopkins, dos EUA. Ele acaba de lançar o livro “Adam Smith em Pequim”. A tese que ele defende no livro é de que o fracasso do projeto neoconservador para o novo século americano no Iraque marca o fim da hegemonia americana.
Os EUA ainda são dominantes economica, militar e politicamente. Mas é uma dominação sem hegemonia, no sentido de que hegemonia não é apenas dominação pura, mas também a capacidade de fazer os outros acreditarem que você age no interesse geral. Ora, a ação no Iraque foi a que mais colocou os EUA em confronto com a comunidade internacional. E, na concepção desses dois eminentes sociólogos, foi o que serviu para acelerar a decadência do império.
Pois esta é a herança que o governo Bush deixa para os americanos.