O presidente Barack Obama estava sendo criticado em seu país por sua neutralidade com relação à crise iraniana. E as críticas nesse sentido que eram feitas pelos adversários republicanos, passaram a ser feitas também pelos parceiros democratas. Havia um crescente descontentamento nos EUA com a não tomada de posição por parte de Obama. Até que nesta quarta-feira Obama declarou que os EUA e a comunidade internacional estão estarrecidos e horrorizados com o que está acontecendo no Irã.Condenou o considerou ações injustas e lamentou cada uma das vidas inocentes perdidas.
A retração de Obama prendia-se ao fato de não querer dar razão ao governo iraniano para transformar o seu problema doméstico num conflito da República Islâmica com o Ocidente encabeçado pelos EUA. Por isto Obama ressaltou que respeita a soberania da República Islâmica do Irã e que não queria interferir nos assuntos internos do país. O que Obama quer realmente é deixar o caminho aberto para negociar a questão relativa ao programa nuclear iraniano. Programa este que é uma grande incógnita e que Obama pretende ter sob controle.
Aliás, incógnita é a situação futura do Irã. Hoje, por exemplo, não se sabe onde está o ex-presidente Akbar Hashemi Rafsanjani, que vinha dando apoio ao movimento de resistência ao regime.
O Centro de Estudos Independentes Brookings, de Washington, realizou um seminário esta semana para saber qual a estratégia americana para o Irã. Participaram seis especialistas em Irã, porém, ao final do encontro, a resposta foi unânime: ninguém sabe o que acontece no Irã. Nesse cenário de incerteza, os especialistas concordaram que a alternativa menos pior é a “Doutrina Obama”, segundo a qual a maneira de abrir o regime dos aiatolás é inserir o país na comunidade internacional.